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Memorias Posthumas de Braz Cubas
Language: pt1,508 downloads on Project Gutenberg
Subjects
In: Novels
Public-domain ebook sourced from Project Gutenberg #54829.

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Esta obra, assinada por um “defunto autor” chamado Braz Cubas, apresenta‑se como um conjunto de memórias póstumas que brincam com a própria ideia de narrar a vida depois da morte. O texto abre com um prólogo irônico, onde o narrador confessa ter escrito “com a pena da galhofa e a tinta da melancolia”, e logo questiona se deve começar pelo nascimento ou pelo óbito, optando por iniciar com a sua própria morte em 1869, na sua chacara de Catumbi. A partir daí, segue um desfile de reflexões satíricas sobre a condição dos ricos, a futilidade das convenções sociais e a inevitabilidade da finitude, tudo entrelaçado a episódios de humor ácido e observações sobre a sociedade brasileira da época.
A voz de Braz Cubas é mordaz, cheia de sarcasmo e de um estilo que mistura o romantismo do século XIX com a ironia de autores como Laurence Sterne e Henry Fielding. A linguagem, ainda que ornamentada, revela um narrador que se diverte ao subverter expectativas, tornando‑se um convite para quem aprecia humor literário, crítica social e uma visão cínica da aristocracia. Leitores interessados em ficção que combina humor, crítica à elite e uma perspectiva pós‑morte, ambientada no Brasil do século XIX, encontrarão nesta narrativa um deleite singular.
The opening · free to read
Que, no alto do principal de seus livros, confessasse Stendhal havel-o escripto para cem leitores, cousa é que admira e consterna. O que não admira, nem provavelmente consternará é se este outro livro não tiver os cem leitores de Stendhal, nem cincoenta, nem vinte, e quando muito, dez. Dez? Talvez cinco. Trata-se, na verdade, de uma obra diffusa, na qual eu, Braz Cubas, se adoptei a fórma livre de um Sterne, de um Lamb, ou de um de Maistre, não sei se lhe metti algumas rabugens de pessimismo. Póde ser. Obra de finado. Escrevi-a com a penna da galhofa e a tinta da melancholia; e não é difficil antever o que poderá sair desse connubio. Accresce que a gente grave achará no livro umas apparencias de puro romance, ao passo que a gente frivola não achará nelle o seu romance usual; e eil-o ahi fica privado da estima dos graves e do amor dos frivolos, que são as duas columnas maximas da opinião.
Mas eu ainda espero angariar as sympatias da opinião, e o meio efficaz para isso é fugir a um prologo explicito e longo. O melhor prologo é o que contém menos cousas, ou o que as diz de um geito obscuro e truncado. Conseguintemente, evito contar o processo extraordinario que empreguei na composição destas Memórias, trabalhadas cá no outro seculo. Seria curioso, mas nimiamente extenso, e aliás desnecessario ao entendimento da obra. A obra em si mesma é tudo: se te agradar, fino leitor, pago-me da tarefa; se te não agradar, pago-te com um piparote, e adeus.
BRAZ CUBAS.
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