Storieta
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Pátria, de Guerra Junqueiro, é um drama em forma de sátira que se desenrola numa noite de tormenta, dentro de um castelo à beira‑mar. O texto abre com uma descrição atmosférica de céu escuro e mar em fúria, antes de introduzir personagens grotescos – o rei, três cães e os cortesãos Opiparus, Magnus e Ciganus – que, entre diálogos carregados de ironia, debatem um tratado com a Inglaterra e a condição do reino. A peça mistura humor mordaz, críticas políticas e referências históricas, enquanto os personagens alternam entre o absurdo e a gravidade de uma nação em crise. Essa abertura estabelece o tom de um espetáculo onde o lirismo de Junqueiro se funde ao discurso cômico, criando um panorama de desordem e esperança para a pátria.

A linguagem de Junqueiro reflete o estilo retórico do fin‑de‑século português, repleto de vocabulário arcaico, jogos de palavras e ritmo quase poético. O autor combina sarcasmo, teatralidade e um sentimento patriótico que ecoa nas falas dos personagens, oferecendo ao leitor uma experiência que remete ao teatro de sátira política do Romanticismo tardio. Quem aprecia leituras que unem crítica social a um humor incisivo, ou que tem interesse pela literatura portuguesa do período da transição monárquica, encontrará em Pátria um texto estimulante e provocador.

Characters in Pátria

  • ReiMajestic middle‑aged monarch, silver beard, crown, velvet robe, sword at side
  • OpiparusElegant courtier, powdered wig, embroidered doublet, lace cuffs, poised expression
  • MagnusTall nobleman, dark hair, high‑collared coat, medals gleaming, stern gaze

The opening · free to read

Guerra Junqueiro

Nasceu em Freixo de Espada á Cinta em 12 de Setembro de 1850. Guerra Junqueiro é o nosso maior poeta vivo e um dos maiores poetas portugueses de todos os tempos. O seu génio profundo e vasto, a sua sensibilidade lírica verdadeiramente excepcional, o seu maravilhoso poder de expressão e de evocação, permitiram-lhe ser grande em todos os géneros de poesia. Desde as sátiras violentas que são a «_Velhice do Padre Eterno_» e a «_Morte de D. João_» até ao lirismo enternecido e humano dos «_Simples_», foi sempre um poeta original e forte, absolutamente incomparável; mas onde o seu génio se manifesta em toda a sua gloriosa expansão é na «_Pátria_», sátira e lirismo amalgamados na mais imprevista grandeza épica, grito de esperança dum povo, redimido emfim da sua decadência antiga. Depois de publicar a «_Pátria_», Junqueiro evolucionou para uma mais larga compreensão do mundo e da vida; daí as suas «_Orações_», dum intenso lirismo panteista e cristão, no mais nobre sentido desta palavra: daí tambêm «_A Unidade do Ser_», livro em que a sua prodigiosa e sempre moça imaginação se alia a um seguro conhecimento dos fenómenos biológicos.

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